A "Silvicultura" é uma importante área que o Engenheiro Florestal trabalha atualmente;
pois ela é dedicada ao estudo dos métodos naturais e artificiais para
regenerar e melhorar os povoamentos florestais com vistas a
satisfazer as necessidades do mercado e, ao mesmo tempo, é aplicação desse
estudo para a manutenção, o aproveitamento e o uso racional das florestas.
A Silvicultura também está relacionada à cultura madeireira.
A silvicultura busca auxiliar na recuperação das florestas através do
plantio de mudas, preferencialmente de caráter regional, de forma a
ampliar as possibilidades de manutenção dos biomas locais visando à
recuperação de recursos hídricos e manutenção da biodiversidade, de forma a
aumentar a eficiência do processo.
Pode referir-se também à exploração comercial madeireira. Em muitos
casos, é citada como megassilvicultura. Um exemplo bem próximo é
o desmatamento incontrolável da floresta amazônica.
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| A Silvicultura é uma importante área de atuação do Engenheiro Florestal |
Silvicultura no Brasil e na Amazônia
Atualmente, a silvicultura responde por mais de 70% da produção de
madeira no país (segundo levantamento do IBGE), sendo os principais produtos a
celulose, o carvão e a lenha. Contudo, isso não vale para a região Norte, onde
a Floresta Amazônica ainda supre a maior parte da demanda por produtos
madeireiros e não-madeireiros. Esse quadro também deve se reverter a longo
prazo, visto que o desmatamento na Amazônia é combatido com intensidade cada
vez maior e o manejo florestal sustentável, embora importante, não pode
assegurar o suprimento de madeira no ritmo de crescimento da demanda,
especialmente para fins energéticos.
Alguns estados da região Norte, como o Amapá, Roraima, Tocantins e o Pará
possuem consideráveis extensões de florestas plantadas, dada a existência de
siderúrgicas e fábricas de celulose na região. Já no Amazonas, no Acre e em
Rondônia, as áreas ainda são pequenas, mas crescentes. A princípio, o principal
produto das florestas plantadas destes estados deve ser a lenha, para o
abastecimento de caldeiras de cerâmicas, frigoríficos, graníferas e
termelétricas, além de fornos de panificadoras e restaurantes.
Não obstante, a crescente demanda por madeira para fins energéticos, o
plantio de árvores para produção de madeira serrada, tratada e painéis de
madeira, nos estados da região Norte, também pode ser uma alternativa
economicamente viável, podendo-se trabalhar em sinergia com o manejo florestal
sustentável. Afinal, serrarias, marcenarias e fábricas painéis de madeira,
geralmente, podem beneficiar tanto madeiras nativas quanto exóticas.
A Floresta Amazônica possui uma grande diversidade de espécies nativas
com potencial para produção de madeira, como o pau-de-balsa (Ochroma
pyramidale), a sumaúma (Ceiba pentandra), o taxi-branco (Sclerolobium
paniculatum), o ipê (Handroanthus spp.) e o tauari (Couratari spp.). Domesticar
essas espécies é fundamental para garantir a perpetuidade do setor florestal,
pois pode evitar o esgotamento das árvores de remanescentes florestais e
garantir o suprimento de produtos diversificados, tanto para o mercado interno
quanto para exportação. Uma espécie que também tem sido cada vez mais plantada
na Amazônia é a teca (Tectona grandis), conhecida por sua madeira nobre, de
alto valor de mercado. Já grandes extensões de acácia-mangium existem
basicamente em Roraima. A acácia-mangium, assim como os eucaliptos, é
relativamente rústica e presta-se para a produção de lenha, celulose, madeira
serrada e mel. Também é fixadora de nitrogênio atmosférico, sendo bastante
empregada em recuperação de áreas degradadas. Porém, não há disponibilidade de
materiais melhorados e sua aceitação no mercado regional não é tão alta.
Com relação às espécies nativas, para produção de madeira,
apenas o Schizolobium parahyba var. amazonicum, conhecido como paricá ou
bandarra, possui considerável área plantada (cerca de 85 mil hectares),
concentrada em Tocantis e no Pará. A espécie possui rápido crescimento e seu
principal uso é a fabricação de laminados.
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| O Eucalipto é uma das principais especies que vem sendo cultivadas no Brasil |
Sua importância para o reflorestamento
A silvicultura tem um importante papel no processo de reflorestamento,
atua contra a erosão, a desertificação e o enfraquecimento do solo. Tem como
função cuidar da exploração e da manutenção racional das florestas, desde o
pequeno agricultor às grandes indústrias madeireiras.
De acordo com o Sistema Nacional e Informações Florestais (SNIF), o
Brasil detém hoje as melhores tecnologias na silvicultura do eucalipto,
atingindo cerca de 60m³/ha de produtividade, em rotações de sete anos.
Dentre os benefícios da técnica, estão:
-Diminuição da pressão sobre florestas nativas;
-Reaproveitamento de terras degradadas pela agricultura;
-Sequestro de carbono;
-Proteção do solo e da água;
-Ciclos de rotação mais curtos em relação aos países com clima
temperado;
-Maior homogeneidade dos produtos, facilitando a adequação de máquinas
na indústria.
Além disso, a silvicultura atua no combate às pragas e no controle de
incêndio para evitar a alteração do equilíbrio natural da floresta; fiscaliza a
contaminação humana (uso de agrotóxicos); auxilia no corte adequado de árvores
(frequência e intensidade) e na recuperação das florestas nativas, cujo
objetivo é ampliar as possibilidades de manutenção dos biomas locais.
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| A Silvicultura tem uma importante papel no reflorestamento atualmente |
Desenvolvimento da Silvicultura ao longo dos anos
Apesar da participação das plantações florestais estarem aumentando em
todos os segmentos em relação às florestas nativas, o setor acredita que com
base nas expectativas de crescimento de demanda, haverá uma necessidade de
plantio em torno de 630 mil hectares ao ano.
A Sociedade Brasileira de Silvicultura - SBS distribui essa necessidade de
plantio como sendo: 170 mil ha / ano para celulose, 130 mil ha / ano para
madeira sólida, 250 mil ha / ano para carvão vegetal e 80 mil ha / ano para
energia.
O desenvolvimento tecnológico da silvicultura de espécies de rápido crescimento
no Brasil guarda uma estreita relação com um programa estratégico setorial
criado pelo governo federal (FISET – Fundo de Investimento Setorial) na década
de 60. Na época, o FISET tinha o propósito de alavancar diferentes segmentos
industriais no país, em especial a indústria de celulose & papel e a
indústria siderúrgica.
O FISET vigorou entre a década de 60 e 80, sendo, talvez, a indústria
florestal, o segmento industrial que melhor aproveitou o esquema de subsídios e
incentivos proporcionado pelo referido fundo de investimento. O que se vê hoje
é resultado de um planejamento de longo prazo iniciado há 40 anos atrás. No
início da década de 60, as plantações florestais no Brasil eram apenas 200 mil
hectares.
Atualmente, a área de plantações florestais no Brasil cobrem 5,7 milhões de
hectares, localizada predominantemente nas regiões sul e sudeste do país.
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| A Silvicultura vem tendo diversos avanços tecnológicos ao longo dos anos |