sábado, 25 de abril de 2015

Silvicultura

A "Silvicultura" é uma importante área que o Engenheiro Florestal trabalha atualmente; pois ela é dedicada ao estudo dos métodos naturais e artificiais para regenerar e melhorar os povoamentos florestais com vistas a satisfazer as necessidades do mercado e, ao mesmo tempo, é aplicação desse estudo para a manutenção, o aproveitamento e o uso racional das florestas. A Silvicultura também está relacionada à cultura madeireira.
A silvicultura busca auxiliar na recuperação das florestas através do plantio de mudas, preferencialmente de caráter regional, de forma a ampliar as possibilidades de manutenção dos biomas locais visando à recuperação de recursos hídricos e manutenção da biodiversidade, de forma a aumentar a eficiência do processo.
Pode referir-se também à exploração comercial madeireira. Em muitos casos, é citada como megassilvicultura. Um exemplo bem próximo é o desmatamento incontrolável da floresta amazônica.
 
A Silvicultura é uma importante área de atuação do Engenheiro Florestal 

 Silvicultura no Brasil e na Amazônia


Atualmente, a silvicultura responde por mais de 70% da produção de madeira no país (segundo levantamento do IBGE), sendo os principais produtos a celulose, o carvão e a lenha. Contudo, isso não vale para a região Norte, onde a Floresta Amazônica ainda supre a maior parte da demanda por produtos madeireiros e não-madeireiros. Esse quadro também deve se reverter a longo prazo, visto que o desmatamento na Amazônia é combatido com intensidade cada vez maior e o manejo florestal sustentável, embora importante, não pode assegurar o suprimento de madeira no ritmo de crescimento da demanda, especialmente para fins energéticos.

Alguns estados da região Norte, como o Amapá, Roraima, Tocantins e o Pará possuem consideráveis extensões de florestas plantadas, dada a existência de siderúrgicas e fábricas de celulose na região. Já no Amazonas, no Acre e em Rondônia, as áreas ainda são pequenas, mas crescentes. A princípio, o principal produto das florestas plantadas destes estados deve ser a lenha, para o abastecimento de caldeiras de cerâmicas, frigoríficos, graníferas e termelétricas, além de fornos de panificadoras e restaurantes.
Não obstante, a crescente demanda por madeira para fins energéticos, o plantio de árvores para produção de madeira serrada, tratada e painéis de madeira, nos estados da região Norte, também pode ser uma alternativa economicamente viável, podendo-se trabalhar em sinergia com o manejo florestal sustentável. Afinal, serrarias, marcenarias e fábricas painéis de madeira, geralmente, podem beneficiar tanto madeiras nativas quanto exóticas.

A Floresta Amazônica possui uma grande diversidade de espécies nativas com potencial para produção de madeira, como o pau-de-balsa (Ochroma pyramidale), a sumaúma (Ceiba pentandra), o taxi-branco (Sclerolobium paniculatum), o ipê (Handroanthus spp.) e o tauari (Couratari spp.). Domesticar essas espécies é fundamental para garantir a perpetuidade do setor florestal, pois pode evitar o esgotamento das árvores de remanescentes florestais e garantir o suprimento de produtos diversificados, tanto para o mercado interno quanto para exportação. Uma espécie que também tem sido cada vez mais plantada na Amazônia é a teca (Tectona grandis), conhecida por sua madeira nobre, de alto valor de mercado. Já grandes extensões de acácia-mangium existem basicamente em Roraima. A acácia-mangium, assim como os eucaliptos, é relativamente rústica e presta-se para a produção de lenha, celulose, madeira serrada e mel. Também é fixadora de nitrogênio atmosférico, sendo bastante empregada em recuperação de áreas degradadas. Porém, não há disponibilidade de materiais melhorados e sua aceitação no mercado regional não é tão alta.

Com relação às espécies nativas, para produção de madeira, apenas o Schizolobium parahyba var. amazonicum, conhecido como paricá ou bandarra, possui considerável área plantada (cerca de 85 mil hectares), concentrada em Tocantis e no Pará. A espécie possui rápido crescimento e seu principal uso é a fabricação de laminados.

O Eucalipto é uma das principais especies que vem sendo cultivadas no Brasil


Sua importância para o reflorestamento

A silvicultura tem um importante papel no processo de reflorestamento, atua contra a erosão, a desertificação e o enfraquecimento do solo. Tem como função cuidar da exploração e da manutenção racional das florestas, desde o pequeno agricultor às grandes indústrias madeireiras.
De acordo com o Sistema Nacional e Informações Florestais (SNIF), o Brasil detém hoje as melhores tecnologias na silvicultura do eucalipto, atingindo cerca de 60m³/ha de produtividade, em rotações de sete anos.
Dentre os benefícios da técnica, estão:

-Diminuição da pressão sobre florestas nativas;
-Reaproveitamento de terras degradadas pela agricultura;
-Sequestro de carbono;
-Proteção do solo e da água;
-Ciclos de rotação mais curtos em relação aos países com clima temperado;
-Maior homogeneidade dos produtos, facilitando a adequação de máquinas na indústria.

Além disso, a silvicultura atua no combate às pragas e no controle de incêndio para evitar a alteração do equilíbrio natural da floresta; fiscaliza a contaminação humana (uso de agrotóxicos); auxilia no corte adequado de árvores (frequência e intensidade) e na recuperação das florestas nativas, cujo objetivo é ampliar as possibilidades de manutenção dos biomas locais.
A Silvicultura tem uma importante papel no reflorestamento atualmente


Desenvolvimento da Silvicultura ao longo dos anos


Apesar da participação das plantações florestais estarem aumentando em todos os segmentos em relação às florestas nativas, o setor acredita que com base nas expectativas de crescimento de demanda, haverá uma necessidade de plantio em torno de 630 mil hectares ao ano.

A Sociedade Brasileira de Silvicultura - SBS distribui essa necessidade de plantio como sendo: 170 mil ha / ano para celulose, 130 mil ha / ano para madeira sólida, 250 mil ha / ano para carvão vegetal e 80 mil ha / ano para energia.

O desenvolvimento tecnológico da silvicultura de espécies de rápido crescimento no Brasil guarda uma estreita relação com um programa estratégico setorial criado pelo governo federal (FISET – Fundo de Investimento Setorial) na década de 60. Na época, o FISET tinha o propósito de alavancar diferentes segmentos industriais no país, em especial a indústria de celulose & papel e a indústria siderúrgica.

O FISET vigorou entre a década de 60 e 80, sendo, talvez, a indústria florestal, o segmento industrial que melhor aproveitou o esquema de subsídios e incentivos proporcionado pelo referido fundo de investimento. O que se vê hoje é resultado de um planejamento de longo prazo iniciado há 40 anos atrás. No início da década de 60, as plantações florestais no Brasil eram apenas 200 mil hectares.
Atualmente, a área de plantações florestais no Brasil cobrem 5,7 milhões de hectares, localizada predominantemente nas regiões sul e sudeste do país. 

A Silvicultura vem tendo diversos avanços tecnológicos ao longo dos anos

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